Especializada em transformar a sustentabilidade em um ativo na gestão e no marketing das empresas, Carolina Aragão, CEO da Somar, é o nome escolhido pela Coca-Cola Brasil para fazer o posicionamento estratégico da marca, referente a sustentabilidade, nos próximos Jogos Olímpicos, em Tóquio, no Japão.
Pesquisa realizada em 2018, pelo Instituto Akatu, evidenciou que a adesão ao consumo consciente cresce entre os brasileiros. Para Carolina, “somos a primeira geração a ter consciência dos reais problemas da sustentabilidade no mundo que vivemos, e a última a poder fazer algo com isso”. Nessa entrevista, ela fala sobre sustentabilidade corporativa, marketing consciente e explica como as empresas podem potencializar seus ganhos assumindo a causa verde e como elas podem adotar conceitos socioambientais na prática empresarial e nos serviços.

Em que contexto surge o Marketing Sustentável?
A sustentabilidade vem ganhando força global desde os anos 60 com algumas iniciativas de marketing verde, Com o passar dos anos, desenvolvimento das tecnologias, conhecimento de novos dados e a globalização, as gerações vem crescendo cada vez mais conscientes do impacto que geramos no mundo e, principalmente, do senso de pertencimento e conectividade a um único mundo.
Tem uma frase, que tem um cunho alarmista, se posso falar assim, mas que retrata a realidade atual: somos a primeira geração a ter consciência dos reais problemas da sustentabilidade no mundo que vivemos, e a última a poder fazer algo com isso. No final a natureza está no mundo há milhares de anos, sobrevivendo, se adaptando e reinventando. Mas somos nós, humanos, que precisamos aprender a viver de forma mais consciente para nos mantermos com qualidade nesse mundo.

Como adotar conceitos socioambientais na prática empresarial e nos serviços?
De forma bem simples, costumamos explicar que sustentabilidade tem que ser divertido, legal, e parte do negócio. Só assim é possível uma mudança de hábito e cultura. Porque adotar conceitos, é sobre se transformar, absorver e entender que é um crescimento não só da empresa, mas pessoal. Então, não podemos cair na cilada de colocar essas práticas só como mil obrigações penosas, elas são parte de uma educação e mudança de cultura interna. É um processo. No fundo, é ter a consciência que eu (todos nós) faço parte de um único mundo, onde qualquer coisa que eu faça atinge alguém do meu lado ou do outro lado do oceano, e vice-versa.
Para quem está mais à frente nesse processo, lembramos do Pacto Global, que é um ótimo guia para desenvolver e medir as diretrizes e métricas. Na Somar, usamos como referência os Objetivos de Desenvolvimento da ONU, ou agenda 2030, que auxiliam a traçar estratégias e metas que estejam de acordo com as necessidades a serem trabalhadas mundialmente para o desenvolvimento saudável e sustentável do meio ambiente e da humanidade.

O consumidor está cada vez mais consciente, o que exige também uma mudança na postura de várias empresas. As marcas brasileiras estão procurando se ajustar a essa nova realidade, você percebe um aumento, ou ainda está tudo muito devagar?
O mundo mudou e a forma como o consumidor pensa, também. É gratificante poder ver marcas brasileiras procurando transformações e mudanças por culturas mais sustentáveis, mas assim como todo desenvolvimento, é um progresso de melhoria contínua. Posso afirmar que nós já estamos vivendo em uma nova era econômica onde a sustentabilidade é vista como algo importante, porém poucos ainda sabem de fato como executar, e menos ainda são os que aplicam a sustentabilidade de forma estratégica, gerando movimento econômico eficiente. Por conta disso, sabemos que passaremos, e já estamos passando, por uma “era de greenwash”. Essa é a grandiosa oportunidade de quem faz certo, se destacar e ganhar o mercado dos negócios. 55% dos consumidores acreditam que as empresas têm um papel mais importante do que governos hoje em criar um melhor futuro. Segundo Meaningful Brands, de 2019, 92% dos brasileiros recompensariam marcas autênticas e íntegras e 77% dos consumidores preferem comprar em empresas que compartilham seus valores. Comprar se tornou um ato político.

A área de sustentabilidade ainda tem baixo poder decisório nas companhias, qual é o maior obstáculo para o avanço da Sustentabilidade Corporativa e do Marketing Consciente?
Você, ainda, não vira CEO por causa da sustentabilidade, mas deixa de ser CEO por causa dela. A sustentabilidade, no mercado brasileiro, ainda tem baixo poder decisório, mas isso vem em crescente mudança. A necessidade não vem só por querer ser uma empresa boa no aspecto da consciência, mas como necessidade de sobrevivência, em um mercado onde você será cobrado por seus consumidores, e não conseguirá reter bons talentos se não for claro quanto a sua atuação sustentável. É nítido como cada vez mais a sustentabilidade tem se tornado importante para o desenvolvimento e alcance de metas e objetivos a curto e longo prazo.

Fonte: Jornal do Brasil (https://bit.ly/2kpU9YZ)

Por Marketing CCM-ULA